A vida como não deveria ser

A gente vive para conseguir coisas. É comum ter alguns objetivos e batalhar para conquista-los: um novo relógio, um video game, trocar de carro, fazer uma viagem ou qualquer outra coisa que pensamos ser bom para nos satisfazer.

“Quando eu conseguir entrar naquela empresa, aí sim vou ficar bem!”

“Na hora que eu marcar com o dermatologista X e conseguir fazer o tratamento para a pele do meu rosto, vou ficar feliz!”

“Eu ficaria feliz se ganhasse uns R$5.000,00 a mais”

E por aí vai. Só de eu escrever as frases acima, me dá um ânimo!!! Mas o que eu realmente constatei em diversos momentos da minha vida é que planejei e conquistei muitas coisas achando que, quando eu tivesse aquilo, seria mais feliz. A grande verdade é que não.

Lembro que, depois de passar um bom tempo com o orçamento doméstico bem justinho, eu e meu marido finalmente conquistamos uma vida financeira mais confortável. Claro que era bom sair, comprar as coisas sem pensar muito, dormir sem muita preocupação com o dinheiro.

Porém, nessa época, minha mãe foi diagnosticada com um câncer no cólon. Isso caiu como uma bomba para mim, mesmo porque não há casos de câncer na família, então não passava nem de longe a ideia de que essa triste doença nos atingisse. Enfim…

Lembro que, um dia, eu estava sentada no sofá de casa, olhando para o nada e pensando “eu tenho uma situação financeira legal, acreditei que quando esse momento chegasse todos os meus problemas estariam resolvidos, mas não…”

Um vazio tomava conta de mim. Foi uma passagem estranha da minha vida e da minha família. Tudo acabou bem, graças a Deus, mas eu pude de uma vez por todas concluir que os momentos de alegria e diversão são importantes, fazem parte da vida, mas eles não definem muita coisa.

E assim eu comecei a observar a vida das pessoas e ainda mais a minha. O que constatei foi o seguinte: é preciso primeiro conquistar uma plenitude interior, ser feliz internamente, para depois desfrutar das demais conquistas.

Como conseguir isso?
Eu vou fazer outra pergunta: como você construiu as bases da sua vida? Num chão firme, com um alicerce forte e seguro ou na areia movediça?

As bases da nossa vida são as relações que cultivamos diariamente. É o modo como canalizamos o amor aos que nos cercam.

Num mundo tão competitivo, sob os olhares críticos das pessoas ou no bloqueio dos nossos sentimentos por conta da demanda de sermos durões, deixamos de amar, de abraçar, de beijar, de brincar…

Nesta semana, eu fiquei sabendo que meu querido mestre e mentor Gasparetto está com câncer no pulmão – mais uma vez essa doença chatinha por aqui – e isso me comoveu bastante. No vídeo onde ele conversou com seu público sobre sua saúde, fez várias reflexões muito oportunas sobre como não sabemos amar e como a vida vai nos ensinar de um modo ou de outro, que se faz urgente aprender isso.

Houve uma parte em que ele conta o insight que teve quando viu no exame a placa preta do lado esquerdo do pulmão, perto do coração. Isso significa o quanto o canal que ele usava para transmitir o amor estava bloqueado.

Sempre muito lúcido, percebeu logo o que esse bloqueio causou no seu corpo físico e agora está revendo o modo como ama e como transmite esse sentimento maravilhoso.

Claro que, ninguém deixa de amar ou não emana bons sentimentos porque quer. Nós não aprendemos que isso é bom, que essa é a verdadeira felicidade e é o material principal para construirmos bases emocionais sólidas e indestrutíveis.

O amor é algo que se aprende e que se ensina. A semente do amor nasce com a gente, mas só germina se tiver água, luz e adubo. Somos ensinados a não sentir. Crescemos insensíveis, infelizmente. Somos educados para sermos fortes.

E o que é seria forte na concepção da maioria?
É ver alguém que amamos morrer e estarmos firmes para trabalhar e viver no dia seguinte?
É ver o filho chorar e largá-lo sozinho porque ele tem que aprender que a vida é assim?

Não, não e não.

Ser forte é saber gerenciar as emoções quando uma situação complicada ou ruim aparece.

É entendermos que temos nosso tempo para digerir um sofrimento.

É não nos culparmos pelos erros cometidos e nem culparmos os outros porque erram.

É agir consigo como agiria com o melhor amigo.

E então eu insisto: para que todas as conquistas da vida valham a pena, construa suas emoções de forma sustentável e segura, amando-se e amando as pessoas não importa quem seja.

Emane, canalize seu amor aos que precisam dessa linda energia, a energia da cura. Não economize. Quanto mais doamos, mais temos, mais nosso coração abranda, mais vemos e sentimos a vida com paz e plenitude.

É muito frustrante perceber que realizamos nossos objetivos, mas que isso não completa a vida, apenas tapa um buraco que logo se abrirá novamente.

Acorde com amor, trabalhe com amor, converse com amor, viva com amor. No fim das contas, é só isso que vai ficar.

Um grande abraço, com muito amor!